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Cortado pelo Trópico de Capricórnio, o Município de Paranavaí situa-se a 529 metros de altitude, no Noroeste do Estado do Paraná, entre as bacias hidrográficas dos rios Ivaí e Paranapanema, com extensão territorial de 1.192,5 km2.
Localizado a 524 km da Capital, seu clima é subtropical úmido mesotérmico, com verões bem quentes e invernos com raras geadas.
Com uma população estimada de 76.229 habitantes (IBGE 2001) e população economicamente ativa de aproximadamente 37.124 pessoas, o Município de Paranavaí tem como principal fonte de receita a pecuária, seguida pela agricultura e pelas atividades industriais nos setores têxtil, moveleiro e alimentício, bem como a prestação de serviços, gerando um produto interno bruto de aproximadamente cem milhões de dólares.
Além do Município de Teodoro Sampaio, no Estado de São Paulo, cujo limite territorial é marcado pelo Rio Paranapanema, o Município de Paranavaí limita-se com os municípios de Santo Antonio do Caiuá, São João do Caiuá, Alto Paraná, Tamboara, Nova Aliança do Ivaí, Mirador, Amaporã, Guairaçá e Terra Rica.
Seu solo predominante é o denominado latossolo vermelho escuro, de textura arenosa, cuja utilização contínua sem o devido manejo pode torná-lo impróprio para a agricultura, razão pela qual durante as últimas décadas a região foi ocupada, em sua maior parte, por pastagens.
A formação geológica da região Noroeste, chamada de Norte Novíssimo, onde se situa o Município de Paranavaí, é constituída pelo Arenito Caiuá, muito suscetível à erosão.
Estima-se que anualmente a erosão seja responsável pela perda de 120 a 200 toneladas de solo por hectare, o que tem sido objeto de estudos e pesquisas, ante o perigo iminente de acelerar-se acentuadamente o processo de desertificação, em face dos problemas de degradação que vêm ocorrendo em toda a região do Arenito Caiuá, principalmente em razão da agricultura praticada sem maiores preocupações com o manejo e a conservação do solo, acentuado-se os problemas já causados pela devastação de florestas nativas.
A retirada das matas veio com o processo de colonização, iniciado em 1930, quando a União retomou a extensão de terras que se encontravam sob domínio da Companhia Brasileira de Viação e Comércio S/A – Braviaco. As terras teriam sido dadas à referida empresa, que era subsidiária da inglesa Brazil Railway Company, em pagamento pela construção da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande.
Dentre as terras que teriam sido concedidas à Braviaco estava a Gleba Pirapó, a qual foi a única da região noroeste a ser registrada em nome da Companhia Brasileira de Viação e Comércio, em data de 31 de julho de 1925, junto ao Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Tibagi-PR, a cujo Município pertencia referida gleba, com extensão de 250 mil hectares.
Cinco anos após, com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, a União, alegando descumprimento de cláusulas contratuais por parte da Companhia, através de ato do Governo Provisório do Estado do Paraná, mediante o Decreto 300, de 3 de novembro de 1930, assinado pelo interventor General Mário Tourinho, rescinde o contrato firmado com a Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande e, por conseqüência, a concessão desta à Companhia Brasileira de Viação e Comércio, tornando nulos todos os títulos expedidos a favor da Braviaco, incluindo-se o da Gleba Pirapó (Soares da Silva, 1988:49).
Segundo historiadores, na verdade o Governo Revolucionário de Getúlio Vargas teria agido de tal forma em represália à atuação política de Geraldo Rocha, superintendente da Brasil Railway, jornalista e diretor dos jornais “A Noite” e “O Mundo”, do Rio de Janeiro e com participação também na Rádio Nacional, a maior rádio brasileira da época, que havia combatido a revolução getulista e defendido a candidatura de Júlio Prestes (Soares da Silva, 1988:85).
Getúlio Vargas assumiu o poder em 1930 mediante movimento revolucionário que depôs o Presidente Washington Luiz, após ter sido derrotado nas eleições presidenciais pelo candidato da situação, Júlio Prestes. E um dos principais articuladores da candidatura de Vargas era Lindolfo Collor (avô de Fernando Collor de Mello, que viria a ser eleito presidente da República em 1989), idealizador da política trabalhista e estrategista da Plataforma da Aliança Liberal, responsável pela elaboração dos aspectos estratégicos da Aliança, que compreendiam avançadas propostas de modernização do país, a partir da instituição de um Poder Central capaz de garantir o progresso e a unidade da nação. Lindolfo Collor também teve destacado papel na articulação da Revolução que conduziria Getúlio ao poder.
Esse aspecto da participação de Lindolfo Collor na política nacional torna-se relevante para compreendermos o ato do Governo Provisório em relação às terras da Companhia Brasileira. Isso porque, conforme registros históricos de depoimentos dos pioneiros de Paranavaí, as terras da Fazenda Brasileira teriam pertencido a Lindolfo Collor e mais tarde transferidas à Braviaco da qual era sócio Landulfo Alves, aliado de Getúlio e por ele nomeado interventor no Estado da Bahia no período de 1938 a 1942 (Soares da Silva, 1988:56).
Os atos de governo foram questionados judicialmente pela Companhia, sendo que a solução definitiva veio apenas com o trânsito em julgado do acórdão proferido em 1940 pelo Tribunal de Apelações do Estado do Paraná, e pela averbação da referida decisão na transcrição 2.435, do Cartório de Registro de Imóveis de Tibagi-PR, ocorrido em 6 de abril de 1942 (Soares da Silva, 1988:50).
A Companhia Brasileira de Viação e Comércio era, na época, conhecida popularmente por “Companhia Brasileira” ou apenas “Brasileira”. Assim, as terras que compunham a enorme fazenda que se encontrava em sua posse, incluindo-se a Gleba Pirapó, totalizando 317 mil alqueires, passou a ser chamada de “Fazenda da Brasileira”, evoluindo para “Fazenda Brasileira” e, posteriormente, após o início do processo de colonização pelo Estado, “Fazenda Velha Brasileira”.
Com relação ao Distrito de Montoya, na época pertencente ao Município de Tibagi, quase não há registros a respeito, conforme observa Paulo Marcelo Soares da Silva (Soares da Silva, 1988:49). Foi criado pela Lei Estadual 2.665, de 13 de abril de 1929, publicada no Diário Oficial do Estado do Paraná em 25 de abril de 1929 (Diário do Noroeste. Edição Especial do Cinqüentenário de Paranavaí, 14-12-2002, p. 58), tendo sido esta a primeira denominação oficial da cidade de Paranavaí.
O nome do distrito teria sua origem na antiga Fazenda Montoya. Tudo indica, porém, que a referida fazenda tenha integrado o que viria a ser a Fazenda Brasileira, da Braviaco. Segundo Sinval Reis, a Fazenda Brasileira foi instalada onde se encontra a sede da Fazenda do Estado, que se transformou em pouco tempo no Distrito de Montoya (Soares da Silva, 1988:36).
Muitos dos habitantes do Distrito de Montoya eram originários do Nordeste do Brasil, de onde vinham centenas de famílias para trabalhar nas lavouras de café plantadas pela Braviaco.
Com a retomada das terras pertencentes à Companhia Brasileira, em 1930, por ordem do Governo Federal, cessaram os investimentos da Companhia Brasileira, fazendo com que inúmeras famílias tivessem que ir embora, procurar outros lugares para trabalhar, fato que culminou no desaparecimento do Distrito de Montoya. Segundo alguns relatos históricos, em 1943 haveria na Fazenda Brasileira apenas um terço dos habitantes existentes em 1930 (Soares da Silva, 1988:38).
Antes da intervenção do Governo Federal, a região de Paranavaí, onde ficava a sede da Companhia Brasileira, não tinha qualquer ligação com o restante do Estado. O caminho a ser percorrido por entre a mata levava ao rio Paranapanema, e daí até Presidente Prudente, no Estado de São Paulo. Daquela cidade paulista, seguia-se até Ourinhos/SP, e desta a Londrina, por via férrea.
Durante o governo provisório, o interventor Manoel Ribas, planejando retomar a colonização da região noroeste, determinou a abertura de uma estrada a partir de Arapongas, a qual recebeu melhorias por volta de 1939. Recebeu, na época, o apelido de “estrada boiadeira”. Por ela começou a chegar a Paranavaí o desenvolvimento.
Há registro de que a primeira viagem da Linha Londrina-Paranavaí ocorreu a 16 de dezembro de 1939, data em que a “Catita”, primeira jardineira da empresa Viação Garcia, teria percorrido a “estrada boiadeira” em vinte horas e trinta minutos. Desta viagem participou Ulisses Faria Bandeira, que três anos depois viria a demarcar a primeira via pública da Colônia Paranavaí. Passou a morar na cidade em 1944 e se tornaria, em 1956, o segundo prefeito do Município de Paranavaí (Soares da Silva, 1988:62).
A retomada do desbravamento de Paranavaí, portanto, veio somente em 1944, após o término do processo judicial pelo qual o Estado obteve de forma definitiva o cancelamento do registro da Gleba Pirapó e de outras glebas que se encontravam sob domínio da Braviaco.
A cidade contava, nesta época, com cerca de oitenta casas e quinhentos habitantes.
A denominação atual da cidade, segundo relato do pioneiro José Ferreira de Araújo, teria sido proposto em 1947, escolhido pela comunidade e resultando da combinação dos nomes dos rios Paraná e Ivaí. A comunidade sugeriu o nome Paranaivaí, levando a sugestão ao prefeito de Mandaguari, cuja extensão territorial abrangia todo o noroeste do Estado, na época, que encaminhou ao governador Moisés Lupion, o qual teria determinado a supressão do “i” (Soares da Silva, 1988:105).
Paranavaí se tornaria município, emancipando-se de Mandaguari, em data de 14 de dezembro de 1951, através da Lei Estadual 790, e instalado solenemente em 14 de dezembro de 1952. Em 14 de dezembro de 1953, através da Lei 1542, foi criada a Comarca de Paranavaí.
Foram prefeitos de Paranavaí:
José Vaz de Carvalho (1952-1956, 1964-1969 e 1977-1982);
Ulisses Faria Bandeira (1956-1960);
Antonio José Messias (1960-1964);
Dionísio Assis Dal-Prá (1969-1973);
Benedito Pinto Dias (1974-1977 e 1983-1988);
Rubens Felippe (1989-1992);
José Augusto Felippe (1993-1996);
Antonio Teruo Kato (1997-2000).
Deusdete Ferreira de Cerqueira (2001-2004),
Maurício Yamakawa. (2005-2008)
Rogério Lorenzeti.
(2009-2012)
Do início da colonização até meados da década de 60, predominou o cultivo de cafezais. Na época, Paranavaí e os municípios limítrofes chegaram a possuir cerca de 30 milhões de cafeeiros (Soares da Silva, 1988:69).
Com o passar dos anos, percebeu-se que o solo arenoso da microrregião noroeste sofria franco empobrecimento, e a cultura cafeeira experimentou rápida decadência, cedendo espaço à pecuária bovina, tornando-se o segundo maior rebanho do Estado.
Com o avanço da pecuária, as oportunidades de trabalho no campo foram diminuindo gradativamente, causando o empobrecimento das famílias e gerando conflitos sociais.
Hoje a microrregião de Paranavaí possui o segundo maior rebanho bovino do Estado, com aproximadamente 1,131 milhão de cabeças, equivalente a 11,31% do rebanho do Estado, estimado em dez milhões de cabeças, ficando atrás apenas da microrregião de Umuarama.
No Município de Paranavaí, com 75% da área coberta por pastagens, está o segundo maior rebanho do Estado, com aproximadamente 148 mil cabeças. (Diário do Noroeste. Edição Especial do Cinqüentenário de Paranavaí, 14-12-2002, p. 11)
Nos últimos anos, contudo, a utilização de novas técnicas, principalmente as que visam a recuperação do solo degradado, tem possibilitado que as terras do noroeste do Estado, que por vários anos eram tidas como impróprias para a produção agrícola, sejam aproveitadas para o cultivo de outras culturas, como soja, milho, mandioca e laranja, além da própria revitalização da cultura cafeeira.
Aliás, a utilização do solo de arenito para o cultivo de soja tem sido destaque em razão da alta produtividade, superando a média do Estado do Paraná, de 2,8 toneladas por hectare.
No município de Paranavaí, mais especificamente, os agricultores têm optado pelo cultivo de laranjais e mandiocais.
A citricultura, uma das mais recentes culturas agrícolas trazidas para a região, tem-se mostrado como uma das melhores alternativas para o município e região, haja vista que, em pouco tempo, transformou Paranavaí no segundo maior produtor de laranjas do Paraná, com produção anual de 130 mil toneladas.
Para chegar à condição de “capital da laranja”, o Município de Paranavaí necessitou de apoio e investimentos tecnológicos visando, principalmente, à quebra do antigo mito de que o solo arenoso, pobre e suscetível à erosão, não seria propício ao cultivo de citros. Isso sem falar na barreira a ser vencida quanto à legislação que, durante quase vinte anos, manteve a proibição do cultivo de cítricos no Estado do Paraná, em decorrência do cancro cítrico que atingiu os laranjais no final da década de 1960.
Através de projetos desenvolvidos por empresas do setor, em parceria com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), buscou-se através de pesquisas adaptar as variedades de citros às condições existentes, através do emprego de novas técnicas de cultivo apropriadas para o solo e as condições climáticas da região. Hoje o município possui uma área de aproximadamente 10 mil hectares de pomares.
A produção de laranja trouxe para Paranavaí outras ofertas de emprego, não apenas no campo, mas também no processo de industrialização. Paranavaí conta hoje com duas importantes indústrias, responsáveis pela produção e exportação dos subprodutos da laranja, especialmente do suco.
Dentre as demais culturas, a produção de mandioca (macaxeira ou aipim, em outras regiões do país) tem sido a mais significativa, ocupando o segundo lugar no Estado, com mais de 50 mil hectares na região da Amunpar, sendo que em Paranavaí a área ocupa aproximadamente 3 mil hectares, cuja produtividade de 30 toneladas por hectare é bem superior a média brasileira, de 13 toneladas por hectare. Isso graças à utilização de tecnologias decorrentes de pesquisas experimentais que apontam para um aumento de produtividade capaz de atingir resultados ainda bem superiores.
Em 2004, a área de cultivo teve um crescimento de 48% e tende a aumentar. Devido a este crescimento o Paraná tem sido destaque no setor, ocupando a terceira posição, com produção anual de 3,4 milhões de toneladas, atrás apenas dos Estados do Pará e da Bahia, que produzem anualmente 4 milhões e 3,8 milhões de toneladas, respectivamente. Mas é o primeiro na produção de fécula, responsável por 70% da produção nacional.
Da produção paranaense, o noroeste responde por cerca de 36%, sendo que apenas a microrregião de Paranavaí produz 21,8%, destacando-se como o maior produtor do Estado.
Em razão da cultura de mandioca, várias indústrias do setor se instalaram em Paranavaí, com grande capacidade de processamento, dentre as quais uma refinaria, a única do país capaz de extrair glucose da raiz de mandioca.
Com os investimentos feitos em Paranavaí nos últimos anos, visando a transformação da mandioca em farinha, polvilho e subprodutos industriais, a serem utilizados na fabricação de produtos alimentícios, farmacêuticos, têxteis e celulóticos, o setor industrial de Paranavaí tem se destacado pelo crescimento vertiginoso, gerando muitos empregos e divisas para o Município.
Seguindo o mesmo caminho, a indústria cítrica tem elevado o nome de Paranavaí à liderança no setor, dentro do Estado. A cidade possui duas das três indústrias cítricas do Paraná, com capacidade de processamento de oito milhões de caixas de laranja por safra.
Mas não são apenas a citricultura e a mandiocultura que têm incrementado a indústria paranavaiense. Há na cidade várias indústrias moveleiras, têxteis e alimentícias, dentre as quais se destacam os frigoríficos, responsáveis pelo abate de mais de mil e quatrocentos novilhos por dia, além de uma avícola, com capacidade de abate de setenta mil aves por dia, mas com projetos de ampliação para mais de cem mil aves por dia, e também laticínios com grande capacidade de produção.
No setor têxtil, além de diversas empresas de confecção e malharia e uma grande empresa de tecelagem, Paranavaí conta com a única indústria produtora de tecido plano do Paraná.
Por tudo isso, Paranavaí hoje ocupa lugar de destaque dentre as cidades do Paraná, como uma das mais prósperas e com melhor qualidade de vida, com amplas possibilidades de trabalho, com excelente infra-estrutura e ótimos espaços para o lazer e a cultura.
Neste aspecto, vale destacar a recente construção do Teatro Municipal e a realização do FEMUP – Festival de Música e Poesia de Paranavaí, de âmbito nacional, que se encontra em sua 39ª edição, e o Gralha Azul, conjunto musical que tem levado a música regional de Paranavaí a uma posição de destaque no cenário paranaense.
(texto extraído da obra "Vara do Trabalho de Paranavai - 18 anos de historia", publicado em dezembro de 2004, por ocasião da inauguração do novo prédio da Vara do Trabalho de Paranavaí)
OBS - PREFEITOS ATUALIZADOS ATÉ 2008.
FONTE : CNCMB.
SALVADOR IMÓVEIS...
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